A fundamentação Oriental da Filosofa ocidental Na Antiguidade ou em tempos mais recentes, muitos filósofos ocidentais contruíram seus sistemas de pensamento baseadis em ideias vidas do Oriente
Por Alexey Dodsworth
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Um faquir em Benares, foto de Herbert Ponting (1907). Gimnosofistas, sábios hindus que se rebelaram contra as castas, formaram grupos, entre eles, os amaravikhepika, que consideravam a realidade uma ilusão - foi de onde Pirro provavelmente tirou subsídios para criar o ceticismo. Eles não se abalavam com dor, frio ou fome e suas técnicas são utilizadas até hoje pelos faquires |
A documentação histórica da influência oriental na construção do ceticismo pirrônico é feita por Diógenes Laércio, ao reportar que Pirro de Elis estudou por dez anos com os sábios indianos enquanto viajava pela Índia com Alexandre Magno. Ao retornar à Grécia, Pirro passou a ter um estilo de vida condizente com o de seus mestres gimnosofistas, e era tido como tão sábio e disciplinado que conquistou o amor dos atenienses, assim como deles recebeu uma oferta de cidadania. Note-se que, em profunda afinidade com os hábitos dos gimnosofistas, Pirro nada escreveu - a palavra escrita era considerada apenas uma forma de criar novos livros carregados de "pretensão da verdade". Deste modo, a doutrina cético-pirrônica é conhecida pelos escritos de um pupilo de Pirro, chamado "Timon, o silógrafo".
Esses sábios indianos tinham comportamento iconoclástico e não se impressionavam com autoridade alguma. Conta-se que Alexandre Magno, impressionado com a sabedoria desses gimnosofistas, lhes propôs uma vida cheia de regalias na Grécia. Totalmente desinteressados, os gimnosofistas chegaram a ser ameaçados por Alexandre, e demonstraram absoluto desprezo diante da possibilidade da morte, chegando a escrever como resposta: "(...) tu, chamado Alexandre, podes remover nossos corpos de um lugar para outro, mas não podes forçar nossas mentes a fazer o que não estão dispostas a fazer, não mais do que podes tu fazer falar às pedras e às árvores. Um grande incêndio causa dor ardente em corpos vivos e os destrói; nós, porém, estamos acima disso, pois somos queimados vivos e não ligamos. Nenhum rei ou príncipe pode nos chantagear a fazer o que não nos determinamos a fazer. Tampouco somos como os filósofos da Grécia, que estudaram palavras em vez de atitudes, a fim de angariarem para si nome e reputação. (...) Gozamos de uma bem-aventurada liberdade na virtude." Restou a Alexandre, enfim, concordar com a utilização de Pirro de Elis como aprendiz dos gimnosofistas como forma de transportar a doutrina desses homens para o Ocidente. Terá sido este um caso único? Muitos pesquisadores apostam numa influência oriental sobre Sócrates e Platão, mas nada foi tão bem documentado e descrito como o caso do ceticismo de Pirro de Elis. O resto é apenas especulação. E embora muito se especule - fantasiosamente, em grande parte das vezes - para a maioria dos estudiosos da cultura oriental é fato incontestável que a Filosofia deve muito de seu saber às fontes misteriosas, míticas e notáveis do Oriente antigo.
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| O sonho de Elijahs, de Philippe De Champaigne. Schopenhauer, assim como os Vedas (textos sagrados do hinduísmo), afirma que a realidade é uma ilusão, uma representação criada pela mente. A realidade não teria maior vivacidade do que o sonho |
Para Radha Vitória, que escolheu o caminho da fé e da devoção, com gratidão pelos conhecimentos generosamente partilhados e contidos neste artigo.
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