A fundamentação Oriental da Filosofa ocidental Na Antiguidade ou em tempos mais recentes, muitos filósofos ocidentais contruíram seus sistemas de pensamento baseadis em ideias vidas do Oriente
Por Alexey Dodsworth
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| Krishna com Radha.São três os principais deuses hindus: Vishnu, Shiva e Brahma. Krishna é considerado a oitava encarnação de Vishnu, deus responsável pela manutenção do universo |
Assumindo tal distinção como válida, nota-se a incoerência de chamar os Vedas de "obra capital da Filosofia hindu". Referir-se aos Vedas como "Filosofia oriental" seria diminuí-lo, já que ele se trata de uma suposta revelação divina. E se considerarmos que tal revelação seja possível, como dizer que se trata de mera Filosofia algo que foi revelado por Deus em pessoa? Mais adequado seria se nos referíssemos aos Vedas como um livro teosófico, por se tratar da sabedoria de Deus.
A Filosofia, ao contrário, pertence ao terreno da mera e bela humanidade. Para alguns adeptos da crença em Deus, a Filosofia seria efetivamente algo menor, consistiria no exercício mental de humanos falíveis em busca da verdade. A Teosofia, em contrapartida, pretende revelar uma verdade que já foi encontrada. Mas, para um descrente, obras como os Vedas ou a Bíblia seriam interessantes apenas a partir de um ponto de vista cultural, não consistiriam a verdade revelada, mas tão somente uma interpretação cultural da verdade, verticalmente estabelecida (ou seja, pelos sacerdotes de uma época).
Ainda no terreno das diferenças entre a Filosofia e a Teosofia, podemos dizer que Kant é perfeitamente passível de contestação. Não faltam obras que contradizem Aristóteles. Não é nada difícil demonstrar que Aristóteles estava VIDAerrado em pelo menos um dos seus pensamentos ao achar que os planetas eram globos de éter. Mas como contestar a lei da reencarnação, onipresente em toda obra tradicional da cultura do Oriente? Se a lei da reencarnação surge como uma verdade revelada, tal verdade é indemonstrável, não importa quanta retórica utilizemos para sugerir que é "óbvio e evidente" que nossas almas transmigram de um corpo para outro. Se Espinosa afirma em sua obra filosófica que "quanto mais intenso é o amor, mais intenso será o ódio quando o amor acabar", isso é passível de discussão, confirmação ou mesmo contestação com exemplos. Espinosa não é Deus, nem pretende sê-lo.
"A crença forte só prova a sua força, não a verdade daquilo em que se crê"
NIETZSCHE |
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Mas se assumirmos como verdadeira (e não como metáfora) a afirmação presente no Vedanta Sutra (obra suplementar dos Vedas) de que aquilo que vemos como sendo a Lua é apenas o aspecto ilusório de um planeta habitado por semideuses da cultura indiana, cuja verdadeira visão está obliterada aos olhos mortais, não há como discutir tal coisa. Podemos apontar todos os telescópios da Terra para a Lua e fotografarmos um deserto árido, e ainda assim nos depararemos com o argumento do seguidor do Vedanta que nos dirá: o deserto é uma ilusão. A Lua é um planeta habitado. A crença numa verdade revelada é superior a toda e qualquer evidência. Entretanto, quem considerar isso como uma tolice supersticiosa há de lembrar que o Ocidente também produz suas (muitas) verdades reveladas: a maioria de nós crê piamente que um determinado homem nasceu de uma mulher que não fez sexo, sendo ele também capaz de metamorfosear a água em vinho, andar sobre as águas e ressuscitar os mortos. Nenhuma dessas capacidades é demonstrável e, assim, que diferença faz se uma cultura crê que existam deuses habitando a Lua ou um deus que tenha caminhado entre nós?
"Um grão de Filosofia dispõe ao ateísmo; muita Filosofia reconduz à religião"
PLATÃO |
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