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Vida e Obra
Filosofia de braços dados com a política
Por Sheila Paulino

Platão nasceu em Atenas no ano de 428 a.C., três anos antes da guerra do Peloponeso. Era de família aristocrata, filho de Aríston e Perictione, que dizia pertencer à família de Sólon, o primeiro grande legislador de Atenas e precursor da democracia. Os bastidores da vida política de Atenas eram familiares a Platão.

Era sobrinho, por parte de mãe, de Cármides e primo segundo de Crítias, dois dos Trinta Tiranos que governaram a cidade por algum tempo. Como era comum aos filhos de aristocratas, Platão recebeu educação para atuar na vida política da cidade, aprendeu ginástica, música e poesia1. Com sofistas2, aprendeu ciências naturais e a arte retórica, ou a arte de falar bem e de persuadir.

Mas o encontro com Sócrates por volta dos 20 anos de idade influenciou definitivamente o seu percurso intelectual. Tornando-se, ao que parece, um dos discípulos mais leais às propostas filosóficas do mestre, Platão frequentou o grupo de ouvintes e interlocutores até Sócrates ser condenado à morte em 399 a.C. Por mais de uma vez esteve na Sicília e no sul da Itália, região que naquela época chamava-se Grande Grécia. Lá conheceu os filósofos-matemáticos discípulos de Pitágoras e a sua escola, também estudou com Euclides e Teodoro. Com cerca de 80 anos morreu em 348 a.C., dez anos antes da batalha da Queroneia, que assegurou a Filipe da Macedônia a conquista do mundo grego. Viveu, portanto, entre a fase áurea da democracia ateniense e o final do período helênico.

É importante destacar que, nesse período, Atenas, que até então era o centro cultural e intelectual de várias cidades gregas3, viveu profundas transformações políticas e ideais. A Atenas do século V a.C., denominado "século de ouro", trouxe a novidade política mais marcante: a democracia.

1 Diferentemente de como a concebemos atualmente, a palavra na Antiguidade grega era, sobretudo, uma forma de manifestação divina. O poeta era aquele que trazia por meio do canto, ou seja, das palavras, as mensagens das divindades aos humanos. Musiké, música ou canto era o resultado da inspiração divina, que nesse contexto consiste na mensagem que os deuses diziam ao poeta. O ato de falar e de ouvir a poesia, como a de Hesíodo e a de Homero, era o modo de reviver e, obviamente, de conhecer a história de deuses e homens. Era a maneira tradicional de se transmitir os valores e a cultura na Grécia.

2 A palavra "sofista" deriva da palavra grega sophos, que quer dizer sábio.

3 Chamamos Grécia o conjunto de várias cidades que tinham autonomia política e constituição própria, eram, portanto, uma "cidade-estado", tradução mais comum para a palavra pólis, que originou termos como "política". Do mesmo modo, devemos ter em vista que o que chamamos de "povo grego" consiste na unidade dos povos que habitavam estas cidades e se reconheciam como helenos (ou gregos), em virtude da língua que lhes era comum, apesar de haver diferentes dialetos.

Sheila Paulino é bacharel e mestranda pelo departamento de Filosofia da USP. Foi professora no ensino médio e atualmente colabora com o Núcleo de Educação do Museu Afro Brasil

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