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Filosofia  
       
 
 
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Drops
Por Anderson Fernandes de Oliveira

O suspiro de Macabéa

Assim como Rodrigo S.M., no livro A hora da estrela, é impossível não se apaixonar pela nordestina Macabéa. A obra ganha uma montagem produzida pela Cia. Estrela D´Alva de Teatro. Na peça, o narrador Rodrigo S.M., interpretado por Ivan Ribeiro, vive os próprios personagens que cria, desde a paixão da nordestina até a vidente que sentencia sua vida próspera. No roteiro encontramos as frases ilustres de Lispector, travestida de Macabéa, como "não sei quem sou, mas, se sou, então tenho que ser". O espírito questionador e existencialista da obra acompanha toda a peça. Em uma tentativa quase sartreana, assistimos a nordestina desengonçada tentar encontrar uma razão para ser. A atriz Lígia Helena sofre como Macabéa, caída no chão, nunca antes tão viva e tão vista. No final da peça, sentimos como a vida realmente pesa como um soco no estômago.
divulgação
Cena da peça A hora da estrela

O filósofo criador

divulgação
Roberto Machado
O Polo de Pensamento Contemporâneo (POP) está realizando, no mês de maio, o curso Deleuze e a Filosofia, ministrado pelo filósofo Roberto Machado. No primeiro encontro, o professor explicou, baseado no filósofo francês, como a Filosofia é um processo de criação. Quando Deleuze diz que o filósofo é criador, ele pretende ir contra a caracterização da Filosofia como metadiscurso e metalinguagem (que é uma tendência da Filosofia moderna, que, desde Kant, tem por objetivo formular ou explicitar critérios de legitimidade ou de justificação, como faz, por exemplo, a Epistemologia ou a Filosofia Analítica da linguagem). "Insurgindo-se contra essa tendência, ele reivindica para a Filosofia a produção de conhecimento ou, mais propriamente, a criação de pensamento, como acontece com as outras formas de saber, sejam elas científicas ou não", explica Machado.

Filosofia em cores

ARQUIVO CIÊNCIA & VIDA
Marilena Chaui

Marilena Chaui abriu o ciclo de cursos de Filosofia no Centro Universitário Maria Antonia, no mês de abril. Com a temática Merleau-Ponty e as artes, ela falou em seu segundo encontro do curso sobre como os artistas expõem o invisível do homem. Citando Ponty, que configurava o corpo como o modo de ser e de estar no mundo, ela diz que o corpo é a nossa interioridade exteriorizada. "Ponty dizia que somos uma consciência encarnada no corpo. E contraria Husserl ao afirmar que o corpo ensina a consciência a refletir", explica Chaui. A Filosofia aprendeu com a arte as formas de se expressar, para que haja, então, a exteriorização da consciência. "O pintor desvenda o invisível; o escritor quebra o silênc io; o pensador pensa o impensável", exemplifica sobre as formas de linguagem da arte exteriorizando a alma humana. Chaui explica que, nas pinturas, por exemplo, a Filosofia aprendeu as distinções das coisas, pois, para o pintor, há o vermelho de luta, o de sangue, o de flores, etc.

Adolescência inventada

PAULO BRASIL
Márcia Tiburi

"A adolescência é uma invenção". Assim começa Márcia Tiburi o segundo encontro do ciclo de palestras realizadas pelo Sesi-SP, intitulado Espiral do Tempo, com o tema Jovem e Ética. "Tratar este tema é muito complexo, pois ética não existe mais". Para ela, ética é comportamento, o trato com o outro. A conversa, o diálogo e, portanto, a boa convivência são elementos da ética. "Os adultos não conseguem estabelecer uma interação com os jovens. Falta o trato, o diálogo. Eles sempre os veem como "aborrescentes", colocando-os no que eu chamo de limbo", explica. Uma metáfora interessante usada por Tiburi é que a infância é o paraíso (referindo-se à inocência) e a fase adulta é o inferno (com responsabilidades e contas a pagar).

A adolescência é o meio-termo, é esta passagem, o limbo, o purgatório. Por isso, nossa concepção de adolescência foi criada para que pudéssemos culpá-los e copiá-los. "Sim, porque o que mais vemos atualmente são idosas tentando parecer fisicamente com adolescentes", afirma Tiburi. Ela finaliza com a reflexão: "não há ética na adolescência porque não há diálogo com os jovens. Afinal, não se pode conversar com quem está no limbo. Para transcender isto é necessário quebrar este paradigma. É necessário enxergar que adolescência não existe".

A verdade é uma mentira

Rodrigo Cancela
Viviane Mosé

A TV Cultura reprisou, em abril, o Café Filosófico da CPflcom Viviane Mosé. O tema apresentado foi Por que repensar a linguagem pode ser a maior das revoluções? Nietzsche e a grande política da linguagem. Ela discorreu sobre Nietzsche, dizendo que ele contraria a noção de verdade e critica a linha de pensamento racionalista. "Para que a verdade?", indagava, em seus estudos, o filósofo alemão. Para ele, o conceito de verdade limita as pessoas, o pensamento e a linguagem e ataca severamente o modelo da linguagem atual, que nasceu dos ideais de Platão e Sócrates.

Antes do modelo socráticoplatônico de linguagem, o pensamento era fundado no devir, ou seja, na vida como um processo de transformação e mudança constante. "Antes nos relacionávamos com a vida com certo pudor, pois havia o desconhecimento. Não se controlava a natureza, as forças da vida", explica Mosé. No decorrer da palestra, a filósofa explicou que Nietzsche dizia que devemos deixar de acreditar que somos o centro do mundo. Só assim o homem poderia perceber que a vida está presente no pensamento, na criação, e não no embate sobre o que é, ou não, verdade do modelo de pensamento atual.

FIQUE POR DENTRO

A Universidade de São Paulo (USP) irá promover palestras com convidados internacionais durante o XVI Seminário Internacional de Filosofia e História da Ciência. O objetivo do seminário é revisitar o modelo da interação entre a pesquisa científica e os valores. Serão abordados temas como a relação da Ciência com a sustentabilidade da natureza e com o florescimento humano; e uma revisão detalhada dos conceitos de "neutralidade" e de "autonomia".

Local: Departamento de Filosofia
Datas: no dia 4 de maio serão debatidos os textos, "On the twofold nature of artifacts" de Lynne Ruder Baker e "Les automates de l'âge classique à la cybernétique" de Mathieu Triclot . No dia 6 de maio o convidado Hugh Lacey ministrará o Revisiting the notions of "neutrality" and "autonomy" of science .

No dia 13 de maio haverá um seminário temático de pós-doutorado apresentado por Nicolas Lechopier, com a temática "Conflitos de interesse e valor social da pesquisa".

E no dia 20 de maio, para fechar o ciclo deste mês, Hugh Lacey irá realizar o seminário The Precautionary Principle: what is it opposed to, and what kind of research does it propose?

Realização: Universidade de São Paulo
Mais informações: http://www.fflch.usp.br/df/site/graduacao/quadro.php

A Universidade Federal de Sergipe, com o apoio do Departamento de Filosofia e do Grupo de Pesquisa em Ciências da Religião irá realizar o I Congresso Internacional Feuerbach. O evento contará com a presença de diversos especialistas da área. Dentre eles a profª drª Adriana Serrão, da Universidade de Lisboa e tradutora da Essência do Cristianismo; prof. José Crisóstomo (UFBA); prof. Eduardo Chagas (UFC); prof. Deyve Redison (UFPB); profª Patrícia Dip (CONICET- Argentina)

Realização: Universidade Federal de Sergipe
Data: entre os dias 17 e 19 de junho de 2009
Mais informações: e-mail: magipa@bol.com.br

 

 

 

 

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