editora Escala
Editora Escala
  Loja Escala | Faça sua Assinatura | Anuncie | SAC | 55 11 3855-1000    
 
Filosofia  
       
 
 
Envie para um amigo Imprimir

 

ARTES
A fronteira comum entre Filosofia E Poesia
Apesar das diferenças na maneira de se expressar, Filosofia e poesia compartilham as mesmas questões que afligem o homem. As duas ainda se misturam à Ciência

POR JORGE LUIS GUTIÉRREZ

Jorge Luis Gutiérrez é mestre e doutor em Lógica e Filosofia da Ciência pela Unicamp e mestre em Ciências da Religião pela UMESP. É professor da Universidade Mackenzie, da UMESP e da Faculdade de Filosofia de São Bento e foi professor visitante da Universidad de Concepción de Chile. Em diálogo com a literatura, tem pesquisado as relações entre Filosofia e poesia. É autor do livro Fragmentos de ternura, Filosofia e desterro, entre outro

Quando a Filosofia nasceu, no século VI a.C., a humanidade já tinha uma longa história literária. Assim, podemos afirmar que a Filosofia nasceu num mundo velho, literariamente velho. Quando os primeiros filósofos de Mileto começaram a elaborar suas idéias filosóficas, já existiam bibliotecas en- terradas nas areias dos desertos da Mesopotâmia e no Egito. Na época de Tales, Anaximandro e Anaxímenes, estas bibliotecas tinham pelo menos uma antiguidade de 1.500 anos ou, possivelmente, mais ainda. Estas bibliotecas somente começaram a ser desenterradas a partir do século XIX da nossa era. Na maior parte delas, os "livros" (tabuletas de argila) foram traduzidos para as línguas contemporâneas.

Um bom exemplo disto foi a Biblioteca Suméria, de Nippur. Alguns desses textos têm pelo menos 4 mil anos de antiguidade. Nessas bibliotecas podem ser encontrados poemas que tratam sobre vários assuntos, especialmente poemas épicos, mitológicos e poemas de amor. Mas também encontramos textos em que estão esboçadas intuições profundas sobre o tempo e a morte, sobre a finitude da vida e sobre a procura da imortalidade.

Pensemos, por exemplo, na Epopéia de Gilgamesh, uma das mais belas histórias encontradas nessas antigas bibliotecas e hoje o "livro" mais antigo da humanidade. Este relato, que começou a ser escrito na Suméria e posteriormente recebeu uma versão final na Babilônia, é um texto escrito em forma de poesia, com belas cenas, cheias de luz e lucidez. Como, por exemplo, a cena em que Endiku chora diante do Sol, suplicando frente ao esplendor da luz, enquanto suas lágrimas corriam. Ou as palavras de Shanash falando para Gilgamesh que o homem pade- ce com o desespero no coração e afirma que o destino dos homens está nesta terra e que a vida eterna não é um destino.

Pode ser afirmado que na atividade poética se encontra o antecedente necessário para a atitude que dará origem à Filosofia

Shanash repete essas palavras no final do livro, quan- do Gilgamesh mor- re. Frente a seu corpo morto, ela afirma que a morte era seu des- tino e não a vida eter- na. Lembremos que o t ema central da Epopéia de Gilgamesh é sua viagem à procura da vida eterna. A vida sem limites, sem fronteiras, a vida que não termina, que se prolonga e que sempre pode chegar a um lugar novo, a uma nova situação, a um novo dia, ou seja, a vida ilimitada. Esse foi o tema do primeiro poema épico criado pela humanidade.

PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | 4 | Próxima >>

 

 

 

Assinaturas
 
Assine as publicações do núcleo Ciência & Vida.
Matérias, novidades acadêmicas, reportagens e muito mais.
Filosofia História historia Psique
 
Edição nº 39
SUMÁRIO DA EDIÇÃO
MATÉRIA DE CAPA
REPORTAGENS
O QUE É FILOSOFIA?
EDIÇÕES ANTERIORES
EXPEDIENTE
FILOSOFIA
LEITURAS DA HISTÓRIA
PSIQUE
SOCIOLOGIA
AGENDA
ARTIGOS
Busca
Buscar
 
 
Newsletter
Cadastre-se e fique atualizado diariamente com nosso conteúdo.
  OK
 
 
Institucional
Publicidade
Adicionar Favorito
Links Úteis
 
 
Legenda
O acesso ao conteúdo do portal Ciência&Vida é identificado por cards.
Assinante
Cadastrado


 
Editora Escala
  Loja Escala | Faça sua Assinatura | Anuncie | SAC | 55 11 3855-1000