Pós - Modernidade A filosofia no século XXI Na era do imediatismo e da velocidade da informação, quais são as chances de sobrevivência da Filosofia e qual é o seu papel em um mundo pós-moderno?
POR EDGAR LYRA
É, enfim, nesse mesmo contexto que se originou o que até outro dia mais
propriamente conhecíamos por Filosofia: a Metafísica. Foi Platão quem primeiro
cuidou para que a razão nascente, cada vez mais presente na condução dos
assuntos políticos, não descambasse para a arbitrariedade e o oportunismo
sofísticos por ele muitas vezes caricaturados em seus diálogos.O uso da razão,
em suma, devia subordinar-se à Verdade, à Justiça, ao Bem, restando ao filósofo
encarnar e dar contornos a esse compromisso. A imagem mais rica é, sem dúvida, a
do livro VII da República.
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Para Aristóteles, a Filosofia, assim como o mito,
tem origem no espanto, na perplexidade que se sente diante dos enigmas do
universo e da vida. É o espanto que leva o homem a fazer perguntas e buscar
respostas |
O filósofo, quer dizer, aquele que saiu e contemplou a luz do Bem Supremo, é
o que sabe a direção da boca da caverna e que, por isso, deve guiar os demais
homens. Mas, visto não poder valer-se de uma compreensão prévia da origem da sua
autoridade, sua tarefa nada teria de simples, sendo mesmo provável que a forte
presença dessa alegoria na Filosofia de hoje tenha a ver com a indicação que ela
dá da complexidade do problema .Deparou-se o projeto platônico, naturalmente,
com os vários e imensos senões que, desde então, constituem a trama mais ampla
das questões político- filosóficas. Tanto Platão quanto o rei-filósofo por ele
idealizado ligam o problema da transição rumo a um estado ideal ao da
existência, acesso, guarda e possível tradução em linguagem ordinária do
princípio constitutivo desse estado ideal.
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A República, de qualquer modo, nunca passou de uma utopia, como seu autor
mesmo o sinaliza no Político. Aristóteles, logo em seguida, discordaria mais
explicitamente das direções propostas por seu mestre, perpetuando-se as
divergências em torno do papel e alcance da Filosofia pela diáspora helenística,
pela Idade Média e início da Idade Moderna.
| "O começo de todas as ciências é o espanto de as coisas
serem o que são" ARISTÓTELES |
METÁFORA E METAFÍSICA Se, todavia, essas divergências
começaram logo cedo, mais de dois milênios foram necessários até que Immanuel
Kant, no século XVIII, colocasse de modo incisivo a pergunta pela viabilidade
concreta do projeto metafísico de instauração de referências últimas para os
negócios humanos. Kant referiu-se à história dessa busca usando a metáfora de um
"teatro de infindáveis disputas". Enquanto a Ciência chamava atenção, àquela
altura, pelos seus avanços, a Metafísica, "outrora rainha de todas as Ciências",
permanecia enredada em inesgotáveis questões. Kant se empenhou em salvar a
Filosofia do descrédito. Sua demarcação de limites para o conhecimento teórico,
aliada à busca de alternativas formais para direcionar a ação humana foi,
entretanto, duramente criticada por G.W.F. Hegel, em sua insistência no projeto
metafísico, mais precisamente, na Filosofia de uma história chegada ao seu
fim.
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A Filosofia se une à revolução com Marx. Para ele,
se o fim da história em um Estado ideal burguês, pensado por Hegel, incluísse
crianças trabalhando, seria preciso desistir da razão. Marx elabora, então, a
teoria da revolução proletária |
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