Drops Por Anderson Fernandes
Filosofia em versos femininos
Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro...". Com depoimentos como este, Clarice Lispector desabro- chou um pensar filosófico inserido no mundo literário. No último encontro da Quinta Poesia, evento realizado na Universidade Presbiteriana Mackenzie e coordenado pelo professor Jorge Luis gutiérrez, a professora do Curso de Filosofia do Centro de Ciências e Humanidades, Ângela Zamora, discorreu sobre o aspecto filosófico da poesia de Clarice Lispector e o lado poético de sua Filosofia. Zamo- ra trouxe à luz a inquietude da poetisa ucraniana que se canalizava em poesia, como fazia sua mãe em outrora. "A poesia é a ilusão antes de conhecer, e a Filosofia é a ilusão depois de conhecer", dizia a poetisa.
Direitos Humanos em debate
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A Amazônia acaba de ingressar no hall de produ- ções filosóficas brasileiras. A Faculdade Salesiana Dom Bosco promoveu, nos dias 20, 21 e 22 de novembro, o I Seminário de Filosofia na Amazônia. Com o tema "Filosofia: 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos", o evento reuniu acadêmicos e profissionais, como o profes- sor giuseppe Tosi, que ministrou três palestras, entre elas a liberdade, igualdade e fraternidade na construção dos direitos humanos. Ele explicou que a doutrina que funda os direitos humanos é a teoria dos direitos naturais, conhe- cida também como jusnaturalismo moderno, que se inicia com o filósofo inglês Thomas Hobbes no século XVI/XVII. Apesar das diferentes concepções de Estado, todos os jusnaturalistas modernos afirmam que o Estado nasce dos indivíduos livres para garantir a efetiva realização dos di- reitos naturais dos homens que existiam "antes" da criação do Estado e que hoje cabe ao Estado proteger. Para Hob- bes, trata-se, sobretudo, do direito à vida; para Locke, do direito à propriedade; para Rousseau e Kant, do único e verdadeiro direito natural, que inclui todos os outros, isto é, a liberdade entendida como autonomia do sujeito.
Religiosidade em Filosofia
A Universidade Presbiteriana Mackenzie realizou o IV Congresso Internacional de Ética e Cidadania (Filosofia e Cristianismo), entre os dias 21 e 23 de outubro de 2008. O principal palestrante, Dr. Me- rold Westphal, um dos membros da tríade de filóso- fos cristãos contemporâneos, falou sobre a presença de Deus e as formas de comunicação por meio da retórica. Ele explica que Jesus é a palavra de Deus encarnada, e que esse foi um dos caminhos que Ele encontrou para se comunicar conosco. Os outros se- riam os mandamentos, a Bíblia e a própria prega- ção. "Podemos comparar nossa conversa com Deus com uma ligação telefônica. Na verdade, estamos falando com o invisível, com alguém que não está presente, mas é como se sentíssemos sua presença", explica o filósofo.
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Das 9h às 18h: a realizaçaõ no trabalho
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Motivação: acordar e receber o novo dia com imenso desejo de vivê-lo. Seria isso realização? No que abrange o âmbito profissional, esse "estar realizado" seria ainda mais utópico? Com base nesta incógnita, Rafael Haddock Lobo, membro do Núcleo de Estudos em Ética e Desconstrução (NEED/PUC-Rio) ministrou o café filosófico Filosofia na Vila, ao lado de Josef David Yaari, presidente do Instituto ProLíbera e de Monica Aiub, fundadora do Instituto de Filosofia Clínica de São Paulo. Organizado pela Editora Escala e com apoio da Livraria da Vila, esta edição trouxe o tema "A realização do trabalho na contemporaneidade". Rafael citou o sociólogo Zygmunt Bauman, salientando que não vivemos mais a rigidez do capitalismo operário. E nos tornamos consumidores com a promessa de independência, liberdade e, logo, de realização. "Compre o seu carro, dessa maneira você é o dono do seu desejo", exemplifica. Segundo ele, a grande questão dessa ideologia do consumo é a idéia de sucesso, do ser bem-sucedido, ou seja, você é escravo dos bens materiais. O ser passa pelo ter. Confira esta edição do Filosofia na Vila na íntegra em nosso portal www.portalcienciaevida.com.br.
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Castração: nada a perder
A CPflCultura realizou em novembro o Café Filosófico com o tema O que resta da (mínima) diferença?, com a psicanalista Maria Rita Kehl. Em um primeiro momento, a palestrante afirmou que os sintomas sociais são fatores da discrepância entre gêneros.
Ela resgata Rousseau que propunha um ensinamento masculino em vista à modernidade (emancipação da Igreja, etc.), enquanto as mulheres seriam doutrinadas de modo a se tornarem obedientes e castas. Essa ideologia origina-se do pressuposto de que as mulheres são inundadas de prazer, uma vez que elas não liberam nenhum líquido na hora do orgasmo. Portanto, elas teriam uma maior disposição a se tornarem vulgares, devido ao excesso de libido. Neste caso, a doutrina vem para cessar a suposta lascívia.
Esse ideário de Rousseau foi seguido durante muitos anos, o que ocasionou o histerismo na modernidade. Maria Rita explica que a mínima diferença seria a castração da mulher. Ela busca a vida inteira compensar a falta do falo, originalmente masculino, e que, desde a infância é concebido como "ter o poder". No entanto, a mínima diferença está entre a ousadia da mulher em saber que não há o que perder (uma vez entendido que não há o falo), enquanto os homens se reprimem com o medo de perdê-lo.
Fique por dentro
O XXV ENEFIL - Encontro Nacional dos Estudantes de Filosofia - é um espaço de construção e trocas de experiências entre os Estudantes de Filosofia do Brasil e traz o tema Filosofia no Brasil: Trajetórias Acadêmicas, Educacionais e Políticas. O objetivo principal é motivar o corpo estudantil a refletir sobre suas ações no sentido de estruturar atividades em defesa do ensino público, gratuito e de qualidade. O evento será organizado por membros da Executiva Nacional dos Estudantes de Filosofia/Coordenação Nacional, do Centro Acadêmico de Filosofia da Universidade Federal do Pará, da Faculdade de Filosofia e da Comissão Organizadora, tendo também o apoio do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Pará.
LOCAL: Auditório do Centro Social Nazaré - Belém - PA
Data: 26 de janeiro a 1º de fevereiro de 2009
Mais informações: www.xxvenifil.blogspot.com; (91) 9613-9327/3229-5093 |
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