Homem: o ser tecnológico A tecnologia melhorou nossa vida e alterou nossa visão de mundo, mas fez com que passássemos a ser escravos de nós mesmos, abrindo mão daquilo que nos diferencia dos animais: a nossa liberdade
POR LILIA PINHEIRO
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| Uma característica da linguagem humana é possibilitar acúmulo de conhecimento. Toda invenção seria perdida se não pudesse ser comunicada |
Se nos primórdios não havia meios de fugirmos à determinação dos papéis que tínhamos de representar, porque não tínhamos meios de otimizar nossa existência, de modo que aqueles que não eram bons caçadores e defensores de sua vida não sobreviviam, atualmente, vivenciamos dilema análogo: quem não produz não consome. Somente aqueles hábeis caçadores que "matam um leão por dia", que são os melhores, os mais aptos, sobrevivem às leis selvagens, só que agora as do capitalismo.
SERÁ QUE TEMOS ESSE TEMPO PARA PERDER? |
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma. Até quando o corpo pede um pouco mais de alma. A vida não pára
Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso, faço hora, vou na valsa
A vida é tão rara
Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós. Um pouco mais de paciência
Será que é o tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber |
A vida é tão rara
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de
calma. Mesmo quando o corpo pede um pouco
mais de alma. Eu sei, a vida não pára
Será que é tempo que me falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma. Até quando o corpo pede um pouco mais de alma. Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não.
Paciência
Composição de Lenine e Dudu Falcão,
no álbum Na pressão, de 1999. |
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Depois de tanta evolução, de tanta tecnologia, que nos tirou das selvas de árvores, continuamos tolhidos em nossas selvas de concreto. Seria essa a melhor utilização para a nossa tão distinta liberdade? Será que a utilização da tão extraordinária tecnologia teria mesmo de nos levar a abrir mão daquilo que tanto nos diferencia - nossa liberdade -, tornando- nos escravos de nós mesmos?
Visto assim superficialmente, parece que a abordagem é um tanto radical, e bastante simplória, mas o fato é que a tecnologia está mesmo a nos escravizar. Vejamos: alguém que a ela não se renda, que não aprecie máquinas, computadores, celulares, automóveis etc., simplesmente não mais se encaixa no mercado de trabalho e, literalmente, não sobrevive. Ou nos encaixamos, tornamo-nos bons e eficientes, ou somos devorados, tais quais nossos ancestrais que não eram bons o suficiente para fugir ou matar o leão. Mas isso não é tudo. Qualquer empresa, fábrica, companhia, tem de estar constantemente desenvolvendo seus produtos sob pena de fecharem as portas, pois a concorrência não pára e torna produtos recém-desenvolvidos rapidamente obsoletos.
O problema é que entramos nesse jogo desesperado por inovação de forma a perdermos o controle. Se não possuímos o celular mais avançado, o computador que roda programas que não temos a menor idéia de como utilizá-los - e provavelmente sequer um dia utilizaremos antes de trocarmos por um outro ainda mais sofisticado -, sentimonos inadequados, também obsoletos.
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Nossos ancestrais precisavam ser bons em fugir ou matar leões. Para sobreviver, hoje, precisamos dominar a tecnologia |
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